Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Guardando coisas



Segunda-feira, 06.05.13

Na porta errada

 

Na porta errada

O homem do fraque  bate sempre à mesma porta.

De súbito parece que o clamor das ruas extravasou as paredes dos  prédios que pareciam limitá-lo , galgou telhados e ultrapassou fronteiras.

Não faltam agora personagens a procurar  despir o casacoo austero com que até agora se pavoneavam para vestir apressadamente outro, com uma tonalidade mais social ,mais humana.

Talvez pela proximidade das datas tão caras que o povo português e os trabalhadores do mundo inteiro agora celebram ,estas personagens enquadram-se perfeitamente na estrofe  que  muito adequadamente cantámos pouco depois do 25 de Abril:

” Cravo vermelho ao peito

A todos lhes fica bem

Sobretudo faz jeito

A muitos filhos da mãe”

Depois de anos de má gestão em que todos os que se enquadram no chamado” arco governamental”  PS;PSD; CDS assinaram o famigerado acordo com a troika estrangeira. Contaram para isso com o compadrio das entidades patronais e da UGT.

Que era necessário, que não tínhamos outro caminho para sair da crise diziam então.

De nada adiantaram os alertas e os protestos de outros que mais avisados, e sabemos todos agora, mais sabedores e mais bem intencionados e em nome de uma crise que diziam querer ultrapassar passamos de uma divida de 94% em 2008 para outra de 123% em 2012.

Pelo meio fecharam empresas em catadupa num movimento que parece não cessar e sobretudo aumentaram-se as dificuldades de quem vive do seu trabalho impedindo até o acesso a este a mais de 1 milhão dos portugueses.

 Destes desempregados, mais de metade sobrevivem sem sequer receber o subsidio que lhes seria devido a essa triste condição.

Não havia nada que saber, a roda já estava inventada. Bastava que tivessem tido a sabedoria de estar atento às palavras de Carlos Carvalhas em 1999 ou mais recentemente ás dos economistas  Ferreira do Amaral ou Octávio Teixeira .

Enquanto mudam de jaqueta lá foram dizendo que sim senhor compreendem muito bem as privações dos demais que são duras mas necessárias. Renegociar o mal que fizeram ? Não senhor, nem prazos, nem juros nem montantes. Isso é bom para gregos para nós orgulhosos portugueses  nada disso .

Por fim  quando o grito de indignação que lhes entra gabinetes adentro lhes começa a cheirar a revolta lá enfiam o casaco á medida do tempo que corre e desatam todos a dizer que basta de austeridade, que atingimos o limite; que temos de olhar para as pessoas que tem de haver preocupações sociais, que  a austeridade tem de ser acompanhada de crescimento. Até de Bruxelas o ex MRPP fervoroso  e ex primeiro ministro que abandonou Portugal ao primeiro aceno com um belo e  tacho com que da Europa lhe  fizeram, já diz que basta, que cedeu demasiado a conselhos dos tecnocratas, e espera confiante que essa sua cedência,a que tantos sacrificios causou aos portugueses não lhe traga qualquer assumpção de responsabilidade ,como sempre .

Parece que Mário Soares; Manuela Ferreira Leite; António Seguro; António Costa ; João Proença , António Saraiva e Durão Barroso e tantos outros que agora viram a casaca tão apressadamente  descobriram a pólvora ,que não tiveram responsabilidades nem foram parte activa e conivente com a negociação e assinatura dos acordos que nos tolhem a vida.

Agora Gaspar tenta renegociar prazos mais dilatados para o pagamento da divida procurando que nos esqueçamos de que há três anos já o PCP reclamava tambem essa medida durante a campanha eleitoral , exigência depois seguida  pelo BE E pela CGTP.

Agora vem António Costa  apoiar os comerciantes  na sua reclamação da suspensão da lei das rendas mas não podemos esquecer a exigência há muito feita da associação dos inquilinos sobre   este tema.

Agora aparece o Passos Coelho a reunir extraordináriamente  para tentar definir medidas para o crescimento procurando que nos esqueçamos que elas são há muito uma reivindicação quer do PCP, do BE , dos verdes e da CGTP.

Procuram dar uma nova imagem, mas quem está desempregado, quem vê reduzido os seus salários e direitos, quem tem de emigrar , quem tem de abandonar estudos, quem tem de pagar mais pela saúde, pela educação e por tudo o mais  são sempre os mesmos .

È a eles, à esmagadora maioria dos portugueses que só sabem e que só podem viver do seu trabalho que o homem do fraque bate à porta. Mas batem á porta errada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por guerrilheiro às 23:19



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2013

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Posts mais comentados