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Guardando coisas



Domingo, 24.03.13

Soldado 125


Soldado 125
O teu coração parou demasiado cedo. Estavas na tua casa .Lembras-te de quantas vezes brincávamos contigo dizendo que te ia-mos internar num lar? Sabíamos que isso te chateava tremendamente, sempre recusaste essa possibilidade .Todos nós os teus 9 filhos vivos, que a Teresa já partiu antes de ti ,desejávamos que só reencontrasses a mãe muito mais tarde , lamentavelmente o teu corpo não deixou que assim fosse.
Sabes que cada um de nós . cada um por si ,nos recordamos de ti tantas vezes e que não são raras as vezes que temos de dar um apoio extra aquele que de nós sente de momento umas saudades mais intensas?
Sabe que me lembro de quando te sentavas a mesa da nossa casa em Barrancos e ajudavas a redigir cartas e pedidos com atua letra bonita a tantos que recorriam à tua boa vontade á tua capacidade apesar da farda de GNR ,profissão que abraçaste depois de uma juventude bem sofrida?
Sabe que me lembro do orgulho que lhe iluminava os olhos quando contava que tinha sido o único GNR a multar um dos agrários todo poderosos daquela terra , a mesma coragem com que abandou a GNR em discrodância com o processo como esta interveio na entrega de terras da Reforma Agrária aos latifundiários alentejanos?
Só uma pessoa atá hoje me disse que lhe havia dado uma bofetada mas essa pessoa não se esqueceu de dizer que foi merecida.
E os três dias que passou a aconselhar-me quando vim trabalhar para o barreiro ainda com 15 anos? Toma cuidado nem apanhes papeis do chão, olha que fulano apanhou pensando que era sobre futebol ou para a tourada e foi preso? Toma cuidado repetiu vezes sem conta…
Não valeu de nada acabei por exercer a minha actividade cívica e politica bem cedo , mas sei que o pai não se chateou afinal tambem acabou por ser dirigente politico e desportivo local .
Gostando tanto de touro como gosto só posso sorrir quando me lembro do medo que tinhas quando estavas de serviço ás touradas de Barrancos mas esse medo não te impediu de ajudar corajosamente as vitimas da queda da praça de touros da Amareleja e isso valeu-te um louvor da GNR.
Talvez o teu declínio fisco tenha começado quando os fascistas de Barrancos se viraram contra ti. No final o pai saiu bem desse processo, todos nós ficámos a ganhar coma mudança a que te obrigaram mas atua saúde nunca mais foia mesma.
As recordações são tantas quase todas boas e hoje estão vivas como nunca.
Queria que pudesses ter conhecido a Carolina, perceberias como vejo nela traços teus que tambem herdei.
Não é possível, mas se estiveres em algum lado com a mãe talvez saibam que para a vossa campa escrevemos a amor prosas e versos bonitos que depois trocámos por uma síntese perfeita: Orgulhamo-nos dos pais que tivemos.
Até sempre pai.

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por guerrilheiro às 09:15



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