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Guardando coisas



Segunda-feira, 18.02.13

Continuaremos por cá?

Continuaremos por cá?

Pelo carnaval regressei ao Alentejo. Admirei-me fácilmente com  a fraca movimentação de pessoas que se verificava nas principais artérias da cidade naquela  noite de sábado . O habitual em anos anteriores era apreciar a passagem e as brincadeiras de vários grupos de mascarados que com bom gosto e alegria circulavam pelas ruas e acabavam num renhido concurso de mascaras e num animado bailarico promovidos pela comissão de festas num cruzamento engalanado a preceito.

Fiz o reparo à minha irmã que por ali habita e esta logo me elucidou de pronto :

-Hoje ainda vez estes poucos rapazes por aqui, está bem que agora os moços saem de casa mais tarde mas olha que ontem só vi mesmo duas pessoas. Não eram mais que duas pessoas nestas ruas .Isto está deserto .

Arrisquei utilizar a baixa temperatura como desculpa. Que não, que era da crise e da emigração disse-me  ela. Tem saído muita gente  para fora ,e agora  não vão sozinhos, quando partem vai todo o agregado familiar, vão todos, e tem ido muitas famílias assim .

Poucos dias antes refleti  com um colega do trabalho sobre as perspetivas de futuro que se nos poderiam apresentar. Uma das suas observações veio-me  repentinamente á memória , espantei-me como coincidiam com o que não via naquela noite alentejana .

- È o futuro que está em causa, não o nosso, mas o do cidadão europeu mesmo enquanto raça ,sentenciava o meu colega. Repara que todos os países todos da Europa tem a sua demografia a descer, nascem menos cidadãos do que os que morrem e mesmo em países como a França onde a população aumenta não é por nascerem mais bebes filhos de pais franceses mas sim graças aos emigrantes magrebinos.

A continuarmos assim, e não será rápido inverter esta situação, onde estarão os cidadãos europeus daqui a 50 anos? Talvez tenham desaparecido. É um  risco real e  sério que estamos a correr.

Talvez exagere nas suas preocupações , mas no caso lusitano  não correrá grande risco de errar se as margens forem mais dilatadas e se nos confinarmos ao espaço nacional.

Se continuarmos a colocar barreiras á qualidade de vida dos portugueses, sobretudo dos jovens, aumentando a precariedade no emprego, quando o arranjam, dificultando-lhes a aquisição de habitação, facilitando o seu despedimento, e reduzindo os rendimentos que  podem dispor para viver ,torna-se um verdadeiro acto de heroismo um casal arriscar ter  e criar um ou mais filhos.

A emigração surge agora quase sempre como único caminho possível para procurar viver com dignidade e finda a esperança vai toda a família em busca da vida que por cá lhes negam.

A probabilidade de nascerem mais portugueses fica assim cada vez mais diminuta, com uma tendência que só poderá aumentar se a situação não for invertida.

Connosco cruzou-se uma matrafona com a alegria saudável mas exagerada pelas muitas cervejas que certamente já teria bebido aquela hora e fez-me esquecer a apreensão com que pensava no futuro de Portugal. Foram momentos de boa disposição, breves , muito breves que o tempo não está para grandes diversões.

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por guerrilheiro às 14:32



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