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Guardando coisas



Segunda-feira, 17.12.12

Contribuição natalicia

Noutro lado qualquer

“Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” era uma das estrofes que Luis Cília cantava nos tempos que se seguiram á madrugada libertadora de Abril, e que na nossa adolescência tantas vezes tentámos imitar pela sua afirmação e pela sua chamada de atenção.
A força da frase valia pela sua actualidade e vale hoje de igual forma. Tal como outrora também muitos ignoram o que vem, o que ouvem, e o que lêem. Ainda que proclamem o contrário o seu mundo não é este onde querem que vegetemos. Não são deste planeta, não nos conhecem, nunca partilharam das dificuldades com que milhões se deparam todos os dias para por comida na mesa e dar educação e saúde aos filhos, nem se depararam com angustia de ter de decidir entre ir à farmácia ou à mercearia.
Alguns há que não tem esperança no futuro mas eles tem a certeza de que tem futuro, uma certeza alicerçada nas posses , ou as suas famílias, foram acumulando mais ou menos rápidamente e de forma mais ou menos honesta mas quantas e quantas vezes conseguidas à custa do saber e do esforço daqueles a quem depois roubam a esperança.
Quando uma professora afirma olhos nos olhos, perante todo o mundo, que tem alunos que desmaiam de fome nas aulas e um deputado, por sinal muito bem vestido e melhor nutrido, lhe responde que só faltam 20 meses para correr com a troika, estamos óbviamente perante duas visões do mundo totalmente diferentes. Como julgará aquela enorme criatura, que com o voto de muitos, se tornou proeminente figura do nosso parlamento, que uma criança que hoje desmaia vai aguentar mais 20 meses naquelas circunstâncias? Como poderá ele sentir a angustia dos pais dessas crianças quando os tem de mandar para a escola sem lhes poder proporcionar qualquer tipo de alimentação?
O anafado deputado lê e ouve certamente, duvido que tenha visto, e tenho a certeza que não sente estas situações em que as decisões que defende tão acérrimamente tem colocado muitos milhares de portugueses. Ele só pode ignorar , ainda que ocupe espaço considerável neste planeta, a sua mente estará certamente noutra galáxia, senão como pode pedir a uma criança faminta que espere mais 20 meses por alguma alimentação minimamente decente? Isto cabe na cabeça de algum ser com um mínimo de humanidade?
Não estará porventura na mesma longínqua galáxia o advogado investido em chefe de generais quando não vê , nem ouve, nem lê que os militares de diversas associações se encontravam reunidos para discutir como manifestar o seu descontentamento ,e ele afirma que as forças armadas estão calmas? Bem esteve o coronel que o mandou ter vergonha na cara, como bem estiveram os militares a decidir manifestarem-se uma vez mais nas avenidas de Lisboa , decisão idêntica à tomada pelas associações profissionais da policia . O srº ministro nesses dia não os verá nem os ouvirá, talvez continue longe , noutro planeta que não na Terra.
E aqueles que prometeram em toda e qualquer feira ou lar de idosos que nunca iriam aumentar impostos e que agora a todos querem sobrecarregar com um brutal aumento dos mesmos viverão por cá? Pensarão que nós não vemos, não ouvimos, não lemos o que ainda há pouco prometiam?
E os que continuamente sacrificam o nosso reduzido bem estar em troco de um pagamento acelerado de uma “festa” de que nada gozámos, e que todos os dias se enganam, e nos pretendem enganar, com as previsões económicas, que nos apagaram qualquer luz de esperança fazendo com que muitos a tenham de procurar longe das suas terras e das suas gentes viverão no mesmo Portugal que nós’?
Não podem agora deixar de ouvir o clamor que se ergue das ruas. Não podem deixar de ver as massas humanas que a um ritmo nunca visto enchem as nossas cidades , não podem deixar de ler a vontade de mudança que cresce em cada peito. Não deixaremos que ignorem que neste Portugal real há um povo que merece viver, que quer viver e que está disposto a lutar sem tréguas por esse direito.
Que não ignorem, que vejam , que ouçam , que leiam ,que tenham vergonha na cara como aconselhou o presidente da associação de oficiais das forças armadas é o que lhes exigimos.

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por guerrilheiro às 18:30



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