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Segunda-feira, 17.12.12

Contribuição natalicia

Contribuição Natalicia

 

Há dias assim. Enfrentamos a luminosidade do ecran e nada, não há inspiração que nos faça accionar as teclas. Tenho de escrever, o tempo para entregar o artigo extingue-se e eu gosto de cumprir  .Não posso falhar mas, que tema devo escolher?

Escreve sobre as prendas de Natal ,aconselhou a esposa.

-Pai, porque não falas do Pai Natal, que nem barriga tem? Deve ser da crise, questiona a filha sugestionada pela imagem do pai natal que se deixava fotografar com as crianças ao colo no forum do Barreiro..

Está bem, seja então. Mas por favor ,não vamos da magreza do Pai Natal, terá ouvido  que havia que acabar com as gorduras do estado e entendido que isso tambem se aplicava ao estado de alegria com que invariavelmente presenteia nesta época as crianças de todo o mundo. Dizem que é assim e não vejo mal nenhum que  assim para que ,ao menos de forma virtual ,assim aconteça. Dá-lhe jeito ser assim mais “esbelto” agora que já quase não tem lareiras por onde descer ,mas  tão só finos tubos e grelhas de respiração por onde se  esgueirar.

E de que prendas vou falar? Daquelas que os meus pais primeiro ,e depois os meus 9 irmãos  e eu conseguiamos  ir distribuindo por todos apesar das dificuldades da vida. ? Na noite de Natal, na mesma mesa já  fomos 48, pai , filhos, sobrinhos e sempre encontrámos formas de  tornar  fabulosas  aquelas noites de natal   e nelas nunca faltarem  prendas para todos .Brinquedos para  as crianças , perfumes , meias , lenços ou roupa interior para os adultos, coisas singelas , baratinhas  no valor material mas carissimas no valor sentimental com que as carregávamos .

Nada é imutável ,e a morte primeiro levou os mais idosos, a mãe, o pai, a irmã mais velha. As distancia que se adensaram tambem não facilitam , e o empenho que alguns tem aplicado ,ano após ano, em destruir as bases financeiras das familias portuguesas tem dificultado este convivio familiar.

Continuamos a almoçar juntos no dia de Natal, apesar das crianças continuarem a nascer, jamais voltámos a reunir a meia centena de outrora e muito menos tivémos a possibilidade de compartilhar com a mesma intensidade o prazer de dar e receber como outrora. Cada vez menos, sempre menos.

Neste ano que nataliciamente ficará marcado pelo despedimento da vaca e do burro dos participantes oficiais no nascimento de Jesus , alguns dos familiares ainda recebem as prendas de Natal que nunca queriamos que fossem distribuidas.

È o sobrinho que teve  da abandonar  universidade por não conseguir pagar as propinas, é a irmã que enfrenta  a qualquer momento o espectro do desemprego por extinção do serviço  florestal onde trabalha ,mais a sua filha  que ficará sem possibilidades de concluir o curso recem iniciado, mais a esposa funcionária publica cada vez com mais trabalho e menos salário e regalias ,mais a nora licenciada prestes a ser mãe mas sem emprego, e mais e mais. È um rol de prendas que agora chegam mas que ninguem  quer, sobretudo porque nunca as desejaram e jamais contribuiram para  que com elas tivessem sido contemplados.

Sua Santidade o Papa retirou a vaca e o burro do presépio, duvidamos que ao menino ainda  vá chegar o ouro tantas são as casas abertas recentemente para nos ajudar a libertar desse peso nas nossas economias e nós, nós poderemos participar na festa correndo de vez com o camelo do Gaspar para que voltemos a ter o Natal celebrado em familia , alegre e condignamente como costumavam fazer as familias portuguesas.

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por guerrilheiro às 18:30



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