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Guardando coisas



Terça-feira, 14.02.12

Dobrar até partir

Dobrar até partir. Enquanto satisfazíamos os estômagos vazios por uma tarde de trabalho deixávamos fluir livremente as nossas experiencias de homens de trabalho. Quando agora estive lá fora, isso não era assim, dizia um . Eles tem gente uma carrada de tipos especializados numa só coisa e só fazem mesmo aquilo. Se eu queria ver outra coisa diferente diziam-me que aquilo era com outra equipa, que aguardassem que eles iam já chamá-los. Ainda mais , afirmava outro, eles são quadrados e como tal ensinam-nos a fazer uma coisa e eles especializam-se numa só coisa , são bons naquilo, mas tambem não tocam em mais nada Comigo agora tenho um a trabalhar que vem cá uma ou vezes por semana e que só é especializado naquele tipo de peça, reforçou de pronto o terceiro dos comensais. Ele nem trabalha, só dá conselhos, mas só percebe daquela peça, é bom naquilo, percebe à brava daquela peça mas é só daquela mesmo. Eram experiencias recentes que todos vivenciavam mas que só confirmavam aquilo que há muito observávamos. Alguma coisa não bate certo, opinei então. Afinal eles só percebem duma coisa ou duma peça, tem a cabeça dura, são quadrados, dizemos nós, mas ganham bem, são bons no que fazem e o país deles está no topo da Europa em quase todo os capítulos por onde o queiramos analisar. Ao contrário querem que nós sejamos flexíveis, que façamos de tudo um pouco, realçam o nosso nacional espírito de desenrascanço e a nossa capacidade de adaptação a novas situações mas ganhamos mal, não estamos na vanguarda tecnológica de quase coisa nenhuma e o Portugal com tudo isso está atrás do ultimo pelotão europeu. Destes factos é fácil partir para a constatação seguinte: Para que nos serve então tanta flexibilidade? E se, tambem ela, trouxe os resultados que se vem e se sentem para que nos procuram tanto envaidecer com os elogios à nossa flexibilidade e a procuram aumentar seja opor via legal , da contratação colectiva ou individual? Quererão que fiquemos ainda pior já que tambem conhecem as praticas que se vivem nos países mais desenvolvidos da Europa? Ou quererão tão só ganhar mais com menos pessoas, ainda que isso não traga vantagens a essas pessoas nem ao país? Hoje há por essa Europa quem, sem a flexibilidade que nos querem impor, tenha só sómente 2 a 3% de taxa de desemprego e quem tenha simultaneamente uma das economias mais prosperas e por isso se arrogue o direito de querer ditar as suas leis a todos os que flexivelmente foram deixando que a sua economia e a sua soberania pudessem ser colocadas em questão. Chegámos a um ponto em que um silêncio ensurdecedor se abate sobre paises com história antiquíssima como a Itália, se obriga a sair um governo legitimamente eleito ( e de quem eu como muitos milhões não gostávamos rigorosamente nada) para colocar em seu lugar um outro em que ninguém votou e que só tem o aval do poder económico e das instâncias politicas da EU que servem o mesmo. E parece que ninguém se importa com este enormissimo atropelo à democracia. A flexibilidade que sempre tivemos não nos levou a nada, a que tentam impor-nos por acréscimo tambem a lado nenhum nos levará. Talvez comece a ser a hora de ser mais inflexíveis.

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por guerrilheiro às 15:07



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