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Guardando coisas



Quarta-feira, 28.12.11

o srº Bispo plagiou?

Ainda ecoam nos órgãos de comunicação as afirmações do bispo de Beja de que haverá trabalho escravo no Alentejo com trabalhadores asiáticos. Para muitos será estranho pois nem sequer suspeitavam que proprietários agrícolas alentejanos pudessem e tivessem a capacidade de contratar trabalhadores para as suas explorações em tão longínquas paragens. Vem agora o srº Bispo de Beja alertar para que os mesmos possam estar a ser escravizados. Não vem tarde o srº Bispo mas vem atrasado pois há muitos meses atrás já o jornal “A Planície “ de Moura publicou um artigo de minha autoria sobre este assunto e meses depois também um canal televisivo emitia uma reportagem sobre estes trabalhadores asiáticos. Alertado para a existência destes funcionários por alguém que trabalhava na segurança social e tendo até tido a oportunidade de com eles me cruzar no Intermarche de Moura, questionei-me sobre a máquina que possibilitava que um alentejano pudesse contratar alguém na Ásia, pagar-lhe as viagens nada baratas certamente, instalá-los e faze-los trabalhar quase na clandestinidade, pois não encontrei muitos alentejanos que soubessem da sua existência. Ainda hoje essa manobra me soa a estranho. As implicações que esta atitude teria no número de empregos disponíveis para os trabalhadores alentejanos e a pressão negativa que a mesma acarretaria sobre os salários e os direitos eram outras das questões que se levantavam. Parece hoje claro pelas declarações do Srº Bispo de Beja que tinha razão e que fiz bem em levantar o problema. Menos bem estiveram os que muito mais próximos do problema o tardaram a detectar e a denunciar e permitiram que ele se estendesse até ás formas de escravidão para que agora se alerta. Como foi um Bispo que falou talvez agora a atenção, de quem pode e de quem deve, se focalize também neste assunto e as incorrecções e ilegalidades que porventura se venham a detectar sejam corrigida para bem dos trabalhadores sejam eles do Alentejo ou das terras distantes da Tailândia. Com a aplicação da directiva europeia sobre o trabalhão temporário que o estado português tinha a obrigação de transpor para a legislação nacional até 5 de Dezembro ultimo não creio e a ser correctamente fiscalizada a sua aplicação não creio que possa haver quem encontre vantagens significativas em ocupar postos de trabalho com trabalhadores de paragens tão distantes e de culturas dispares. Não estranharei que daqui a algum tempo outros bispos surjam a levantar o mesmo problema no sector mineiro já que me parece que o numero de verdadeiros mineiros em Portugal será bastante inferior aos necessários para efectuara a exploração de todas as concessões que o governo tem vindo a anunciar. Se, e isso já seria bom, todas essas concessões se transformarem em verdadeiras explorações mineiras o recurso a trabalhadores estrangeiros poderá ser uma necessidade e a tentação de tratá-los como hoje tratam os tailandeses no dizer do srº Bispo não deixará de existir. Não deixará certamente o sindicado dos mineiros de estar atento para a existência deste género de fenómenos mas importa que os restantes sectores da sociedade também o estejam e actuem atempadamente logo que qualquer desvio negativo se verifique.

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por guerrilheiro às 22:55



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