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Guardando coisas



Quarta-feira, 28.12.11

Um dia só

Enquanto conduzo ouço no rádio do carro que o BCE decidiu surpreender emprestando aos bancos não 300milhões de euros que estes esperavam, mas 500 milhões a um juro de somente 1%, valor muito inferior aos juros exigidos aos que precisam recorrer aos empréstimos bancários. Chego a casa e mal ligo a televisão entra-me pela casa dentro mais um governante a anunciar que temos férias a mais, que só devíamos ter 22 dias em nome de uma competitividade que ainda não encaixei. Já durante a madrugada ao ler os jornais diários registara a vontade dos mesmos governantes de continuar a reduzir os valores das indemnizações a que os trabalhadores teriam direito em caso de despedimento e as intenções de facilitar estes. Nesta marcha de sentido unívoco, sempre em desfavor dos mesmos, não esquecem o anúncio das intenções de impedir as extinções automáticas dos contratos colectivos. Ainda não acabou a tarde e já sei que algumas taxas moderadoras aumentaram mais de 160%.Disse o ministro que isto equivalia a pouco mais de 3€ por cada português fazendo-me logo lembrar a história da média dos frangos. Economicismo puro e simples despido de qualquer sentimento humano. Para acabar o dia ouço o primeiro-ministro dizer divertido que tudo isto são manobras de diversão e que ninguém fala do que o governo está a fazer, que aqui del rei que querem que os professores e depois outros emigrem etc. No que a mim me toca não é diversão alguma. Sei bem o que o governo está fazendo, bastaria tão só a descrição deste dia para o confirmar. Tal como bastaria recordar o dia que comecei a jantar ouvindo as medidas governamentais que nos fizeram perder os subsídios de natal e de férias. Nessa noite quando acabei de sorver a sopa já estava certo de que haviam esbulhado largas centenas de euros. Sim, sei o que o governo anda a fazer. Anda a roubar-me a mim e a tantos outros tentando continuamente o empobrecimento da generalidade dos portugueses e a dar milhões a muito menos outros numa clara opção de classe. Gostaria muito mas efectivamente só consigo ouvir que uma cadeia de artigos desportivos vai construir um armazém em Setúbal onde podem criar 400 postos de trabalho. Positivo, mas tão pouco para tanta necessidade de empregos que quem tanto corta devia criar. Revejo as previsões em baixa para 2012 da produção da empresa onde trabalho, menos 10.000 veículos, busco anúncios de novas empresas que se instalem e criem empregos, procuro produtos portugueses que estejam para ser exportados gerando riqueza significativa para o país, busco esperança e não encontro por mais que me esforce. Volto a questionar-me: se não há perspectivas de aumento de produção, de instalação de novas empresas, de exportação de produtos ou serviços então para que todos estes ataques aos direitos e regalias dos trabalhadores? Será só para permitir que os patrões/ empresários/investidores ganhem mais à custa dos seus trabalhadores ou será mesmo a vingança destes contra as conquistas de Abril? Emigrem, dizem agora e receio por isso. Não vão querer encher comboios com portugueses e desembarcá-los em locais bem identificados com a frase ”o trabalho liberta”?

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por guerrilheiro às 22:52



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