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Guardando coisas



Sexta-feira, 20.01.12

Você disse concertação?

Quem disse concertação? Ocorre-me a fábula da rã e do escorpião em que este cumprindo a sua natureza ferrou a generosa rã que o ajudava a atravessar o rio para a outra margem. Agora uns atravessaram o rio renegando a natureza de representantes dos trabalhadores que apregoam, mas na verdade terão cumprido a sua real natureza de aliados das entidades patronais para que estas possam levar a água dos rios aos seus moinhos. Não é verdade que a CGTP não tenha assinado qualquer acordo de concertação social como se apressam a caluniar os membros do actual governo, o acordo que atribuiu 35 horas obrigatórias anuais de formação a cada trabalhador,o acordo para a higiene e segurança e sobretudo o acordo para o aumento do salário mínimo nacional foram ali assinados tambem pela CGTP-IN. Há que dizer que nenhum deles foi cumprido como seria expectável. Tambem é verdade que a esmagadora a maioria dos acordos sucessivamente celebrados naquela sede não contaram com a assinatura da CGTP-IN mas contaram sempre com a da UGT, ambos cumprindo a sua natureza, os primeiros de representantes dos trabalhadores e os segundos de capacho dos interesses patronais para a estes dar a cobertura de uma assinatura em nome de trabalhadores que efectivamente não podem representar. Como podem ser representantes de trabalhadores os que acabam por assinar a redução de férias, o facilitar de despedimentos, a redução do valor do trabalho extra, a retirada de feriados, a redução das indemnizações , a criação de bancos de horas individual e grupal? Tudo medidas numa só direcção: a penalização de quem trabalha e o aumento da riqueza das entidades patronais. Por mais que proclamem que com a sua assinatura evitaram danos maiores que a voracidade do patronato exigia, a verdade é que não se pode encontrar uma única medida em favor do s trabalhadores nem do país já que nunca apontam uma medida para a criação de do emprego, para o desenvolvimento da produção nacional, nem para o crescimento da riqueza produzida, nem para um mais justa distribuição da mesma. Nem uma palavra assinaram sobre alterações noutros custos de produção como os custos logísticos, os encargos fiscais, o acesso ao crédito bancário , o valor dos combustíveis e da electricidade ou mesmo da formação da classe empresarial nacional estes sim importantes para a competitividade das empresas Podia ser pior dizem-nos da UGT pela voz do seu mais alto representante. Pode ser sempre pior e nem sabemos até quando nem até onde .No fim da escala da Europa já nos colocaram .Por este caminho não tardarão, se os deixar-mos, a que nos equiparem ao Bengla Desh ou ao Nepal ou a qualquer outro recanto quarto mundista onde os salários e os direitos raiam as condições da escravatura. O que sabemos é que não podem , não devem , nem tem de ser os trabalhadores a assinar condições que constantemente lhes reduzem as condições de vida e de trabalho. Não é essa a natureza dos seus verdadeiros representantes, e muitos dos trabalhadores que até agora se julgavam bem representados não tardarão a percebe-lo e, em busca da dignidade que lhes querem roubar, colocar-se-ão ao lado de quem não hesita em negar a sua assinatura para validar acordos que servem nem os portugueses nem Portugal. Já dia 11 de Fevereiro o Terreiro do paço terá de ser pequeno para albergar tanta gente revoltada com os que não se cansam de nos tentar calcar nem com os seus complacentes e activos companheiros de tão vergonhosas tarefas.

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por guerrilheiro às 12:55

Segunda-feira, 16.01.12

Adeus Zé.

Via-te e sabia-te cada vez mais fraco mas o aperto de mão que ainda ontem demos parecia-me conter forças que me faziam acreditar que não partirias tão depressa. Partiste afinal abreviando um sofrimento longo que nunca mereceste. Agradecias-me os breves momentos em que te visitei e agradecer-te-ei sempre o previlégio de ter tido como amigo. Obrigado Zé António.

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por guerrilheiro às 00:23

Domingo, 08.01.12

De novo o cheiro a mortos no ar

Adivinhava-se quem seria a seguir.Há muito que as miras americanas e israelitas se focalizavam no irão e enquanto as armas foram sendo oleadas as mais diversas manobras tendentes a conduzir a uma situação de guerra foram sendo executadas a coberto de mil e um pretextos.Arrasados o Iraque e Libia e coma Siria já a ferro e fogo o Irão estava na linha da frente. O petróleo que esse pais possui é demasiado apetecíivel para que as potencias ocidentais não o queiram administrar e óbviamente com ele lucrar e o seu poder demasiado ameaçador para que Israel não queira aniquilar. Ainda não acabou a rábula do enriquecimento de uranio e já inventaram mais uma sobre o encerramento do estreito de Ormuz vindo os estados unidos dizer que para eles esse encerramento é um red line inegociável. Noutros campos tenta-se que se intensifiquem as represálias e aumentem os boicotes á venda de petróleo iraniano apertando o cerco a este país colocando desde logo em dificuldades económicas não só os seus dirigentes mas tambem os muitos milhões de pessoas que habitam esse antigo pais. Obrigam o Irão a responder, e de resposta em resposta a guerra surgirá e o inevitável cortejo de mortes e destruição não tardará a desenhar-se claramente sobre os nossos olhos incrédulos e impotentes para travar tal sanha sanguinária para conquistar os mercados que enriqueçam os poucos que com isto aumentam as suas colossais fortunas. Um dia acabada que for mais esta guerra outra se lhe sucederá talvez noutras latitudes sendo a Coreia do norte o mais forte candidato a abater ficando a china cada vez mais isolada e então sim a batalha final acontecerá.

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por guerrilheiro às 22:56

Domingo, 08.01.12

Estive com o amigo

Disseram-me que já não reconhecia ninguem, e que a familia aguarda a qualquer instante a chamada do hospital a comunicar o que parece impossivel de evitar. Juntei ainda assim toda a coragem que consegui armazenar numa tarde nostálgica enfiado no sofá quase sem emitir palavra antecipando a dureza do encontro e fui visitá-lo. Reconheceu-me logo estendeu-me a mão crivada de cateters e tubos. Agradeceu-me a visita numa voz sumida denunciadora da falta de forças que o assolam. Ainda se preocupou em perguntar-me como é que eu estava. Estava preparado para bem pior, embora não desconheça que aquele ar triste que ostenta, apesar da face impecávelmente escanhoada e do bigode aparado, escondem muito do que a maldita doença fez ao seu outrora atlético corpo. A lucidez que possuia hoje á tarde deixou-me menos desconfortável. Pude dizer-lhe sem transpirar muita emoção que esperava encontrá-lo pior que lhe desejava força que amigos lhe mandavam cumprimentos.Agradeceu mais uma vez e voltou a estender-me a mão. Agora já sei onde estás e que horas te posso visitar,vou vir mais vezes.Talvez já amanhã.Ele que nunca quis que se soubesse do seu infortunio não perguntou sequer coo havia eu sabido da sua estadia ali naquela enfermaria e naquele lamentável estado de saude.Simplesmente concordou comigo com um ligeiro aceno de olhar e agradeceu com um som quase imperceptivel. Fica bem amigo, amanhã volto a ver-te.Tomara que assim possa possa ser por muito tempo.

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por guerrilheiro às 22:37

Segunda-feira, 02.01.12

Uma questão de vergonha?

Pouco antes da quadra natalícia, em breve peça televisiva, analisavam-se os dados respeitantes à agricultura nacional recolhidos pela Pordata. O valor desta recolha, neste e nos mais variados campos da realidade lusa, ao alcance de todos, é enorme e muito se deve ao trabalho de coordenação do Drº António Barreto. Da leitura que a jornalista pode então fazer ressalta um declínio tremendo quer da área cultivada, quer o valor gerado por esta actividade, quer do numero de pessoas que se dedicam a esta actividade tradicional no nosso país, quer ainda no numero de jovens com menos de 23 anos que a ele estão ligados, actualmente só cerca de 7000. Já durante o Natal pude conversar autênticos pequenos agricultores que tristemente vaticinavam o seu próximo fim bem como o de muitos outros que como eles se dedicam a esta actividade esmagados que serão pelos reduzidos preços que lhes pagam pelos produtos que arduamente produzem. A azeitona, por exemplo, há meia dúzia de anos era comprada a 0,56 € e agora estão a pagá-la por 0,22€ exemplificava, não esquecendo de mencionar que os custos de produção entretanto aumentaram para o dobro. O mesmo tipo de constatação poderá ser efectuado para os mais variados tipo de produtos agrícolas sujeitos à imposição de preços que as grandes superfícies comerciais efectuam escudadas no seu poderio económico esmagando continuamente os preços e inviabilizando a existência de pequenas e médias explorações agrícolas em detrimento de grandes grupos e da importação de produtos dos mais variados pontos do mundo. De pouco terá assim servido a estes produtores a construção de grandes barragens como Alqueva já que pouco diferem os uso e posse da terra e demais circuitos de tratamento e comercialização. Claro que passaram a existir mais olivais e vinhas de grandes extensões, mas esses não são pertença dos pequenos e médios agricultores e muitas das vezes nem são sequer pertença de nacionais, faltando ainda ser avaliados os efeitos que um uso tão intensivo da terra e de produtos fitossanitários trarão aos campos alentejanos. Conhecedor de que o drº António Barreto foi um ministro da agricultura de anterior governo do Partido Socialista e que personificou a lei da extinção da Reforma Agrária que tanto deu que falar e que tanta agitação trouxe ao país e ao Alentejo em particular perguntei-me como se sentiria aquele homem ao ver que os dados que tão brilhantemente ajudara a colectar e tratar demonstrarem inequivocamente o mal que a sua acção governativa trouxera á actividade agricola nacional. Os homens que, como ele e com ele, se empenharam em destruir a reforma agrária e que hoje podem comparar os níveis de ocupação da terra e de produção que então eram atingidos com os actuais deveriam, em meu entender, sentir uma imensa vergonha do trabalho que efectuaram. Talvez esse sentimento seja arredio das suas almas porque ontem como hoje o objectivo não era por Portugal a produzir mais e criar mais emprego mas devolver e manter a posse dos meios de produção nos grupos e nas pessoas que sempre os detiveram com os resultados que os dados que a Pordata tão bem documenta e que tão bem sentimos nas continuas reduções de condições de vida que nos querem impor.

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por guerrilheiro às 16:16


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